
Respeito à diversidade
de credos: premissa básica para a paz
Se
há um pensamento que praticamente foi unanimidade
entre todos os palestrantes, que em alguns diálogos
foi expresso claramente, e que em outros ficou nas entrelinhas,
foi que a aceitação e o respeito à
diversidade de credos é premissa básica para
a construção da paz. No painel "O Papel
das Tradições na Construção
de Um Mundo de Paz" esse ensinamento foi reforçado
por todos os participantes: Mavesper Ceridwen, da Associação
Brasileira de Arte e Filosofia da Religião Wicca,
reverendo Christian Lepelletier, da Federação
pela Paz Universal, o Pastor Metodista Wester Clay Peixoto,
ex-secretário Executivo do Conselho Nacional das
Igrejas Cristãs e o pastor Anselmo Barbosa Morais,
da Soka Gakkai.
Para
Christian Lepelletier o egoísmo é a base para
o mal. "Ele gera o amor falso que leva as pessoas a
viver somente em benefício de si mesmas". O
pastor entende que precisa haver um processo de reeducação,
restauração, religação com Deus.
Para ele, a família é a escola do amor. "É
o local para nutrir o coração e o caráter",
ressalta.
O pastor
afirma que o desafio das religiões é cuidar
para que não haja a desintegração das
famílias. Citou ainda como princípios necessários
para a paz: viver em benefício dos outros e a busca
da cooperação além dos limites. Ele
acredita que, se cada um adotar esses princípios,
haverá uma harmonia inter-religiosa que construirá
parcerias para a edificação da paz.
Já
na avaliação de Wester Clay Peixoto, a tentativa
de diálogo entre as religiões vem acontecendo
e com algum sucesso. "Os olhos agora são de
respeito e voltados para conhecer o outro, suportar, botar
o ombro para que o outro se apóie. No futuro, vai
evoluir da tolerância para a busca do aprendizado
no credo e na experiência religiosa do outro".
Clay
Peixoto lembra ainda que todas as tradições
têm seus conhecimentos. "Toda tradição
é um vislumbre da eternidade, já que é
fixadora de identidade. As tradições são
feitas de acúmulos de conhecimentos. Os mundos estão
mais próximos devido à globalização,
mas estabelecem fronteiras, muros. Não podemos nos
situar na intransigência. É aí que estão
os fundamentalismos. As tradições devem ser
encaradas como o eu diante do tu", ensinou.
Mavesper
Ceridwen acredita que as religiões devem ser instrumentos
de educação para a convivência com a
diversidade. "Elas devem proporcionar a aceitação
da diversidade como valor oriundo da própria natureza
da divindade criadora, a abrangência de sistemas de
crenças muitas vezes diferentes e até antagônicos,
e a suas responsabilidades para a manutenção
da cultura de paz", defendeu.
Bety Rita Ramos
Assessoria de Comunicação do I Fórum
Espiritual Mundial
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